sexta-feira, 31 de outubro de 2014



         Introversão e Extroversão



sexta-feira, 31 de outubro de 2014

            Nessa semana a introversão e extroversão serão tema do blog. Por mais que não fique tao perceptível no dia a dia, essas características influenciam muito que tipos de amigos vamos escolher, que tipo de trabalho iremos ter, de maneira geral, quais comportamentos tendemos a ter ao longo da vida.
            Pensa-se sobre sobre introvertidos e extrovertidos desde o início dos tempos. Os dois tipos de personalidade aparecem na Bíblia e nos escritos de doutores gregos e romanos, e alguns psicólogos evolucionistas dizem que a história desses comportamentos vai muito além: o reino animal também apresenta “introvertidos” e “extrovertidos”. Sem os dois estilos de personalidade, assim como sem outros pares complementares — masculinidade e feminilidade, Ocidente e Oriente, liberais e conservadores —, a humanidade seria irreconhecível, e imensamente diminuída.
            A ideia central do texto não é dizer que uma maneira de ser é melhor que a outra, é apenas que, ao contrário do que se pensa, introvertidos tem tanto a oferecer que extrovertidos, que hoje são tidos como exemplo de personalidade ser seguido.
            A autora deixa sua intenção bem clara com um exemplo que fala por si só. Cain (autora do texto), durante anos trabalhou com treino de pessoas nas habilidades de negociação. Sua primeira cliente, Laura, advogada, era uma pessoa reconhecidamente introvertida, com pavor dos holofotes. Depois de três anos trabalhando numa empresa, ela teria que representar um colega de trabalho que viajara de férias, deixando-a a missão de uma importante negociação na empresa. Ela estava bem nervosa e achava que era quieta e cerebral demais para aquela negociação, mas por saber conduzir a conversa muito bem, com sua calma, pensando antes de falar, falando de forma cordial e firme ao mesmo tempo, ela conseguiu se sair muito bem, recebendo inclusive propostas de emprego após essa reunião, e ela nem precisou berrar nem bater na mesa para conseguir tudo isso, bastou usar o que a introversão pôde lhe oferecer. Mais a frente no texto Cain revela que, na verdade essa história era sobre ela, ela tinha sido sua primeira cliente.
            Cometemos um erro grave ao abraçar o Ideal da Extroversão tão inconsequentemente. Algumas das nossas maiores ideias, a arte, as invenções — desde a teoria da evolução até os girassóis de Van Gogh e os computadores pessoais — vieram de pessoas quietas e cerebrais que
sabiam como se comunicar com seu mundo interior e os tesouros que lá seriam encontrados.
Sem introvertidos, o mundo não teria:

A teoria da gravidade
A teoria da relatividade
O segundo advento”, de W.B. Yeats
Os noturnos de Chopin
Em busca do tempo perdido, de Proust
Peter Pan
1984 e A revolução dos bichos, de George Orwell
O Gato do Chapéu”, do Dr. Seuss
Charlie Brown
A lista de Schindler, E.T. e Contatos imediatos de terceiro grau, de Steven Spielberg
O Google
Harry Potter
            
            O Ideal da Extroversão está em todo lugar, na escola, quando o trabalho em grupo é estimulado, e as vezes, exigido, no trabalho, onde a o trabalho em equipe é o que há de mais valorizado, em casa, onde se a criança prefere brincar sozinha pensa-se que há algo errado com ela, se ela não interage tanto com os colegas, já se pensa em autismo, e não se leva em consideração que aquela criança é apenas introvertida, e ela tem o direto de ser, e deve ser respeitada por isso, sem tentativas de mudá-las.
            Há um outro ponto importante sobre esse assunto que é a timidez. Timidez se define pelo medo da desaprovação social, está mais relacionada ao medo de se expor, enquanto a introversão é apenas uma preferência por não se expor. Uma pessoa pode ser um introvertido tímido, um extrovertido tímido, um introvertido não-tímido ou um extrovertido não-tímido.
            A autora anexou também um teste para sabermos se tendemos a ser mais introvertidos ou extrovertidos:

1. ___ Prefiro conversas individuais a atividades em grupo.
2. ___ Geralmente prefiro me expressar por escrito.
3. ___ Gosto da solidão.
4. ___ Pareço me importar menos que meus colegas com fama, fortuna e status.
5. ___ Não gosto de jogar conversa fora, mas gosto de tópicos profundos que importam
para mim.
6. ___ As pessoas dizem que sou um bom ouvinte.
7. ___ Não gosto muito de correr riscos.
8. ___ Gosto de trabalhos que me permitam “mergulhar” com poucas interrupções.
9. ___ Gosto de celebrar aniversários de maneira reservada, com apenas um ou dois
amigos ou familiares.
10. ___ As pessoas me definem como alguém “de fala mansa” ou “meigo”.
11. ___ Prefiro não mostrar meu trabalho ou discutir sobre ele com os outros até ter
terminado.
12. ___ Não gosto de conflitos.
13. ___ Trabalho melhor sozinho.
14. ___ Tendo a pensar antes de falar.
15. ___ Sinto-me exaurido depois de estar em público, mesmo que tenha me divertido.
16. ___ Às vezes deixo ligações caírem na caixa postal.
17. ___ Se tivesse que escolher, preferiria passar um fim de semana com absolutamente
nada para fazer a um com muitas coisas programadas.
18. ___ Não gosto de fazer muitas coisas ao mesmo tempo.
19. ___ Consigo me concentrar com facilidade.
20. ___ Em situações de sala de aula, prefiro palestras a seminários.




            Quanto mais tiver respondido “verdadeiro”, mais introvertido você provavelmente é. Se tiver um número parecido de “verdadeiros” e “falsos”, provavelmente você é um ambivertido sim, essa palavra existe. Mas mesmo que tenha respondido cada questão como um introvertido ou extrovertido, isso não significa que seu comportamento é previsível em todas as circunstâncias. Não se pode dizer que todo introvertido goste de ler ou que todo extrovertido atrai os holofotes em uma festa, não mais do que se pode dizer que toda mulher é uma construtora natural de consenso e que todos os homens amam esportes de contato. Como Jung acertadamente colocou, “não existe introvertido ou extrovertido puro. Um homem assim estaria em um sanatório para lunáticos”.
            Ao longo do texto ela dá mais exemplos de como introvertidos podem se beneficiar de sua característica, como um dos principais fundadores da Apple, que era um introvertido, e no momento de sua grande proeza, quando digitou as letras no teclado, e elas aparecerem na tela, ele estava sozinho, como em todos os outros dias de seu trabalho.
            Enfim, a autora passa a mensagem de que o Ideal de Extroversão precisa ser visto com muito cuidado e com muita desconfiança. A introversão também tem suas potencialidades, que aliás são gigantescas, notáveis e indispensáveis para a evolução humana.

Referência: Cain, S. (2012) O poder dos quietos. Rio de Janeiro: Agir.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

       Estudando o Suicídio


Sexta-feria, 10 de outubro de 2014

           Em uma perspectiva global o suicídio aumentou cerca de 60% nos últimos 45 anos, e esse aumento aconteceu também em Teresina, Piauí, não na mesma proporção, mas o bastante para motivar um estudo sobre o assunto, como forma de tentar prevenir, visto que houve um aumento no número de suicídios entre os idosos. Um fato interessante que encontrei nesse texto, que achei surpreendente, é que as chances de suicídio aumentam com a idade, ou seja, mais um motivo para esse estudo com intenção da prevenção.
            Esse estudo foi realizado com a ajuda de cinco famílias que perderam um parente com mais de 60 anos de idade por meio do autoextermínio, entre os anos de 2004 e 2009. A forma de investigação foi por meio de entrevistas, utilizando-se o Roteiro de Entrevista sobre Suicídio padronizada por Minayo et al., apropriada para o suicídio de idosos. Os familiares eram convidados desde que tivessem proximidade e conhecimento da vida pessoal, familiar, social e cultural da pessoa que tirou a própria vida. Os familiares foram contatados usando-se os laudos periciais emitidos após o óbito.
            Durante as análises feitas, o suicídio foi entendido como um fenômeno psicossocial, que se constitui como processo construído e potencializado no decorrer da vida do indivíduo. Em coerência com essa maneira de entender o fenômeno, foram desenvolvidas autópsias psicossociais a fim de se analisar os fatores que perpassaram cada caso.
            No caso 1, foi abordada a história da sra. Joana, que tinha sentimentos de insatisfações consigo própria, rejeição ao envelhecimento, relações afetivas e familiares conturbadas, e a busca contínua de um significado para a sua vida. Contribuiu de forma preponderante para o suicídio a existência de um transtorno mental, mais especificamente, um transtorno do humor, que é exemplificado no trecho transcrito abaixo:

Ela sempre demonstrou um humor muito
inconstante. A maior parte do tempo
apresentava uma euforia desmedida,
sorria desproporcionalmente e falava
bastante. Em um curto espaço de tempo,
demonstrava uma tristeza profunda,
como se toda a euforia que demonstrava
não fosse real. Constantemente desejava
morrer (Roberto, filho).”

            No caso 2 foi estudada a vida do sr. Joaquim, e foram constatados como fatores estressores a não aceitação do diagnóstico de câncer e as consequências negativas decorrentes do diagnóstico e do tratamento, ou seja, a impossibilidade que ele mantivesse o seu ritmo de vida boêmio e a sua vaidade. O outro estressor foi a decadência financeira, em que o idoso não podia mais manter seu padrão de vida que tanto valorizava, deixando-o mais vulnerável ao suicídio. Outros traços de sua personalidade que contribuíram para o ato foram a impulsividade, uso constante e excessivo de álcool e um histórico de vida marcado por conflitos familiares e relações afetivas conturbadas.

''Por tentar manter esse estilo de vida, meu
pai perdeu a casa em consequência de
dívidas. Chegou a pedir empréstimos a um
agiota, mas não conseguiu pagar e teve que
dar a casa, o único bem que ele tinha. Ele
teve dezenove imóveis, mas destruiu todo
o patrimônio, sem perceber, em noites fora
de casa. A cabeça dele era desequilibrada
(Patrícia, filha).''

            No caso 3, foi abordada a história da sra. Ana, que apresentou sofrimentos associados a um diagnóstico de depressão grave, caracterizado por humor deprimido, culpa, desesperança, sentimentos de inutilidade e pensamentos frequentes de morte e suicídio.

''Ela chorava bastante, parecia uma pessoa
muito triste. Quando perguntávamos
sobre o motivo do choro, dizia que não
sabia, mas que não queria mais continuar
vivendo. Ela evitava falar sobre o que sentia,
mas ficava claro que era solidão e angústia.
Não tinha prazer nenhum na vida (Juliana,
sobrinha).''

            Essa senhora, que foi a que mais me chocou pelo modo como morreu, colocando fim a própria vida através da carbonização do próprio corpo, causou desconforto na família, o que tornou ainda mais difícil o processo de luto.

''O que nós, familiares, não conseguimos
entender foi a forma tão dolorosa que
ela escolheu para tirar a própria vida.
Realmente, é difícil de entrar na nossa
cabeça que, depois de uma vida de
infelicidades, ela tenha escolhido morrer
de uma forma tão dolorosa, depois de ter
passado a vida inteira se cortando (Juliana,
sobrinha).''

            No caso 4, estudou- a história de vida do sr. João, que retrata sofrimentos relacionados ao uso excessivo de álcool, traços de personalidade agressivos e impulsivos, relações familiares conturbadas, introversão, não aceitação do envelhecimento e problemas financeiros no fim da vida.

''(...) A vida dele foi um inferno, cheia de
brigas e confusões. Passava a maior parte do
tempo bêbado e, quando estava sob efeito
do álcool, era agressivo. Mesmo quando
estava sóbrio, era impaciente e impulsivo
(Pedro, filho).''

            Pode-se nesse caso ressaltar a ocorrência de um estressor precipitador do suicídio, relacionado a um conflito familiar, sabendo-se que o suicídio ocorreu minutos depois que o idoso discutiu com a esposa, além de um outro fator que foi a notícia veiculada pela mídia de um jogador que havia cometido suicídio, que pode ter incentivado ainda mais o ato, como uma forma de modelo.

''Minha mãe me contou que, antes de
morrer, meu pai disse assim para ela: –
Você viu aquele jogador de futebol que se
matou, eu também posso fazer igualzinho
a ele. Do jeito que ele fez, deu certo. Acho
que isso encheu ele de coragem (Pedro,
filho).''

            No caso 5, a vida do sr. Carlos foi analisada, e observou-se sofrimentos e predisposições para o suicídio relacionados ao abuso do álcool, depressão, não aceitação do envelhecimento e sentimento de culpa referente à dependência alcoólica do filho. ''É comum a presença de vários
fatores estressantes ou potencializadores do sofrimento na reconstituição da vida de pessoas que cometeram suicídio, à medida que muitos deles já viviam em um contexto repleto de problemas psicossociais, ligado à existência de transtorno mental'' (Meleiro & Fráguas Junior, 2004).
            Em todos os casos de suicídio observou-se efeitos devastadores para a família, sendo um fator de predisposição para o suicídio ter um membro próximo que tirou a própria vida. ''Em suma, os suicídios ocorreram como resultado de vidas marcadas por intenso sofrimento psíquico, de ausência do sentido para vida e de desestruturação pessoal e familiar, potencializadas especialmente pela presença de um transtorno mental ou de alcoolismo. O suicídio é apenas o ponto máximo do sofrimento psíquico, e, comumente, a vida de uma pessoa que comete suicídio é trilhada por circunstâncias trágicas, caracterizando o processo como fenômeno construído e multideterminado (Fensterseifer & Werlang, 2006).''
            Com isso pode-se concluir que, por mais que a depressão e outros distúrbios mentais tenham um peso, a história de vida da pessoa tem que ser levada em consideração na hora de se analisar um suicídio, por ser decisiva para desencadear nesse ato extremo. O suicídio nunca tem apenas um fator estressor, e entender isso é de fundamental importância para se analisar um suicídio com uma visão mais holística e humilde.

Referência: Servio, S.M.T. e Cavalcante, A.C.S. (2013) Retratos de autópsias Psicossociais sobre suicídio de idosos em Teresina. Psicologia: ciência profissão, 33, 164-175.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Patologia do Tédio
Sexta-feira, 12 de setembro de 2014




            Durante a última guerra, haviam soldados que eram responsáveis por detectar submarinos alemães. Eles trabalhavam isolados observando uma tela de radar durante horas e, com o tempo houve um declínio no desempenhos dos operadores, a alguns submarinos não foram percebidos. Com isso houve um interesse de se estudar qual o efeito de atividades extremamente monótonas no ser humano.
            No estudo realizado por D. O. Hebb, que tinha como objetivo obter informações básicas de como os seres humanos reagem em situações onde não acontece absolutamente nada.
            As pessoas que participaram da pesquisa eras estudantes de colégio do sexo masculino, e que recebiam dólares por dia. Eles ficavam deitados numa cama, num cubículo iluminado horas por dia, pelo tempo que aguentassem com intervalos apenas para refeições e para ir ao banheiro. Usavam visores de plástico, que limitavam a visão das formas, luvas de algodão, para minimizar o tato e a audição era reduzida por um travesseiro e pelo som do ar condicionado.
            Antes, durante e depois do isolamento foram aplicados testes aos participantes, que mostraram que o desempenho dos sujeitos foi afetado pelo isolamento em ambiente monótono.
            À medida que os estudantes ficavam em isolamento, seus pensamentos iam se modificando. Alguns ficavam pensando no experimento, nos seus trabalhos, pensavam em acontecimentos do passado, tentavam lembrar, em mínimos detalhes, de filmes que já tinham visto, etc. Com o tempo, os sujeitos chegavam a um estado em que só conseguiam se concentrar com muito esforço, e alguns ''ficavam contentes em deixar a mente vagar''. Outros disseram: ''Minha mente ficou cheia de sons e cores e eu não podia controlá-la''.
            Algo que de início não chamou atenção mas que acabou sendo a mais importante faceta da pesquisa foram as visões/alucinações desenvolvidas pelos participantes.
            As alucinações dos participantes começaram em formas simples, como pontos de luz, linhas ou figuras geométricas. Depois as visões ficavam mais complexas, com padrões abstratos repetindo-se como um desenho na parede. Finalmente haviam cenas mais completas como uma fila de esquilos, com sacos nos ombros, marchando pelo campo visual, e os sujeitos tinham pouco controle sobre o conteúdo as alucinações.
            Essas alucinações nem sempre eram visuais, eram também sonoras e táteis, como um participante que ouvia repetidamente uma vitrola tocando, e outro que tinha a sensação de ter outra pessoa deitada com ele na cama. Uma descoberta bastante notável foi que quando os sujeitos saíram, depois de vários dias de isolamento, todo o quarto parecia estar em movimento.
            As modificações na atividade elétrica do cérebro desses sujeitos foram registradas, e havia uma tendência, depois do período de isolamento, ao aparecimento de ondas lentas, que estão normalmente presentes durante o sono, e além disso, as frequências na região de ritmo cerebral mais importantes diminuíram.
            


            Um ponto que achei muito interessante foi que os sujeitos pareciam bastante ansiosos por estimulação, e quando saiam para as refeições eram bastante tagarelas e queria induzir os experimentadores a conversa. Nesse ponto eles podiam falar sozinhos, assobiar, cantar e recitar poesias.
            A exposição prolongada a um ambiente monótono tem, então, efeitos nocivos à saúde. O raciocínio do indivíduo é perturbado, ele mostra respostas emocionais infantis, sua percepção visual fica alterada, ele sofre de alucinações e modifica-se o padrão de suas ondas cerebrais.
            Como exemplo prático temos o caso de caminhoneiros que viajam a longas distâncias, e depois de muitas horas, eles podem começar a ver aparições como gigantescas aranhas no para-brisa e animais atravessando a estrada, o que pode provocar acidentes e não é improvável que alguns acidentes aéreos e rodoviários sem explicação possam tem sido provocados por efeito da estimulação monótona prolongada.
            Um ambiente sensorial variável parece ser de suma importância para os seres humanos, pois sem isso o cérebro pára de funcionar de forma adequada e desenvolve-se anormalidades de comportamento.


Fonte: Heron, W. (1977) A patologia do tédio.Psicobiologia: as bases biologicas do comportamento.Rio De Janeiro: LTC
As possibilidades do Tato






Sexta-feira, 12 de setembro de 2014
            Hoje falaremos sobre o tato, um sentido muitas vezes desprezado por nós, mas que para alguns cientistas tem sido objeto de estudo para desenvolvimento, por exemplo, de um macacão que ajude pilotos a se orientarem no ar, a saberem, por exemplo, onde está o chão e onde está o céu.
            Esse macacão dispões de 32 tatores pneumáticos (vibradores impulsionados por um pulso de ar), cada um com cerca de um centímetro e meio de diâmetro e alguns milímetros de espessura, que ficam dispostos em torno do dorso, com intervalos de dois centímetros entre cada um. Os tatores são ativados por um motor que dispara os jatos de ar de acordo com determinações eletrônicas dos instrumentos da cabine. Assim, o piloto recebe informação tátil sobre a altitude, inclinação, e velocidade relativa do avião


             A função mais marcante do macacão, contudo, é ajudar a distinguir entre as sensações de "em cima" e "embaixo" no vôo. Acredita-se que a maioria dos pilotos que morreu na Guerra do Golfo, morreu por não conseguir identificar qual era o lado de “cima". Cerca de 30% das colisões aéreas civis foram atribuídas à desorientação espacial. Saber onde está o chão envolve informações complexas e, o mais importante, contínuas, recebidas por nossos sentidos, e em certas situações, essas informações podem ser enganosas.
            Um ponto bastante marcante desse macacão é que quando se usa, a resposta vem de forma intuitiva, o piloto não precisa pensar para responder ao estímulo. Ex: quando o avião se inclina para a frente, fortes vibrações na frente do traje praticamente forçam o piloto a corrigir a posição. Se o aparelho estiver se inclinando lateralmente para a direita, as vibrações se movem da cintura para a região da axila direita do traje. Se o nariz da aeronave estiver empinado demais, haverá vibrações na parte posterior do pescoço. A resposta instintiva a cada um desses estímulos é a correta: a reação automática é a de corrigir movimentos involuntários.
            O sistema é tão eficiente na transmissão de informações que permite que os pilotos militares voem vendados depois de apenas alguns minutos de treinamento. Os macacões também podem alertar os pilotos sobre a aproximação de inimigos: uma pressão sobre a área correta do corpo gera uma compreensão instintiva sobre a direção exata de aproximação de uma aeronave inimiga.
O macacão nos automóveis

            Outras aplicações dos macacões tácteis estão sendo desenvolvidas para uso também em baixo d'água, em mares muito escuros, e também no espaço para ajudar os astronautas a se orientarem melhor em suas caminhadas espaciais.

O macacão nos automóveis




            A Nissan e a Honda estão ajudando uma equipe na Universidade Perdue a desenvolver sistemas táteis para seus automóveis. Os sistemas estariam ligados a aparelhos de radar de curto alcance e alertariam fisicamente ao motorista quando algo se aproximasse demais do carro. Se uma criança aparecesse correndo na frente do carro, por exemplo, o sistema propiciaria um forte toque no peito do motorista, proveniente de tatores instalados no cinto de segurança. Sistema semelhante advertiria caminhoneiros dando a ré às cegas de que estão prestes a bater em alguma coisa. Uma pesquisa realizada na Universidade Perdue demonstrou que os tempos de reação podem cair à metade quando a informação tátil substitui o estímulo visual direto -uma melhora que poderia salvar vidas. 
            Existem pesquisas nessa área que podem beneficiar também pessoas com deficiência visual. O cinto táctil seria ligado a um sistema GPS, e as vibrações do cinto conduziriam a pessoa ao seu destino. O método poderia substituir sistemas de navegação que usam sons, que podem ser perigosos ao ter o potencial de desviar a atenção do usuário de barulhos como um carro se aproximando.
            Contudo, ninguém desenvolveu tatores tão versáteis até o momento, e o mercado para esse tipo de aparelho não ajuda a acelerar as pesquisas. No entanto, o mais recente setor a aproveitar o potencial do toque poderá causar grande impacto na tecnologia tátil. Um psicólogo experimental quer desenvolver vibradores que criem “melodias” vibratórias em telefones celulares. Ele e sua equipe vêm executando testes para ver com que facilidade as pessoas reconhecem o ritmo de uma canção em forma táctil. Um dia, o telefone celular de uma pessoa pode ser programado para executar uma canção brega de amor em forma tátil quando seu amado ligar, e o ritmo sombrio da Marcha Fúnebre quando o telefonema vier do escritório.
            Enfim, as possibilidades, como vimos são inúmeros, e acredito que não se resumem a esse texto.

Abraço e até a próxima.

Fonte: SchropeM. (2001). O novo sentido do tatoNew Scientist2 de Junho, 30-33.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Refletindo sobre as doenças mentais

Sexta-feira, 29 de agosto de 2014

           Se achamos que é só na atualidade que as pessoas sofrem doenças mentais estamos enganados. Doenças mentais sempre existiram, e isso está em todos os textos antigos. Na Grécia, e na tradição ocidental, esses distúrbios eram relacionados com o desequilíbrio do que eles chamavam de quatro humores básicos (líquidos secretados pelo corpo, como sangue, bile amarela, fleuma e bile negra, e que eram tidos como determinantes das condições físicas e mentais do indivíduo), e eram semelhantes aos quatro elementos: ar (seco), fogo (calor), terra (frio) e água (umidade). O tratamento para essas condições era baseado nas combinações de extratos de ervas, para que se restabelece a harmonia e o desequilíbrio.
            Já nas sociedades agrícolas pré-industriais, as diferentes formas de comportamento dos indivíduos assim como os retardos mentais eram vistos de outra forma, apenas como uma variação humana, e não de forma anormal como vemos hoje. A classificação dessas condições diferentes de comportamento como doença mental é muito recente, e com essa classificação o número de sanatórios cresceu consideravelmente, de acordo com historiadores, entre os séculos XVIII até meados do século XX.
            Maneiras para diferenciar formas de distúrbios mentais começaram no fim só século XIX. A tradição de separar mente e corpo não é da atualidade, ela vem de tempos mais antigos e muitas vezes essa tradição foi aplicada de forma errada, pois com base em exames feitos em autópsias, ficou comprovado que algumas doenças teriam que ser sido tratadas de forma neurológica e não apenas de forma psicológica. Como exemplo podemos citar a ''paralisia geral do ''insano'', que muitas vezes era consequência de sífilis progressiva, e não de um distúrbio mental, entre muitos outros casos em que problemas mentais associados a doenças como bócio (aumento do volume da glândula tireoide, de caráter crônico) começaram a ser atribuídas a deficiências vitamínicas.
            Também no fim do século XIX, procurou-se com maior intensidade a categorização mais precisa das doenças mentais, que não poderiam estar relacionadas a fatores neurológicos (danos cerebrais). Essa procura está geralmente relacionada com Emil Kraepelin (psiquiatra alemão que é comumente citado como o criador da moderna psiquiatria, psicofarmacologia e genética psiquiátrica). Emil Kraepelin distinguiu perturbações transitórias( como depressão, ansiedade, distúrbios bipolar e afetivo), das que pareciam ser constantes. Essas perturbações mais constantes como alucinações e paranóias, formam chamadas de esquizofrenia, em 1911, por Eugen Bleuer (psiquiatra suíço que contribuiu de forma notável para o entendimento da esquizofrenia).
            A esquizofrenia geralmente afetava pessoas no fim da adolescência e se caracterizava por delírios, alucinações auditivas e a sensação de falta de controle sobre si mesmo, como se forças externas as controlassem através de comandos sonoros, e era diagnosticada duas vezes mais em pessoas das classes operárias do que na classe média. A sua existência não é aceita por todos os psiquiatras, alguns a vem como uma reação saudável a circunstâncias muito difíceis.
            O problema dos diagnósticos psiquiátricos ficou mais claro quando David Rosenhan (psicólogo estadunidense) fez uma experiência em que ele mesmo, três psicólogos, um pediatra, um psiquiatra, um pintor e uma dona de casa, sendo cinco homens e três mulheres, foram a hospitais psiquiátricos dizendo que estavam ouvindo vozes. Nenhum deles tinha antes sido considerado com problemas mentais e possuíam um vida bem estabelecida. A próxima instrução era que se comportassem de forma normal e dissessem que as vozes haviam cessado. O comportamento ''normal'' foi interpretado como ''anormal'' pelos médicos, e levou um tempo até eles terem alta dos hospitais. A classe psiquiátrica foi irada com aquela situação e Rosenhan disse que no próximo mês enviaria mais pseudopacientes aoshospitais. Com isso os hospitais disseram que haviam identificado 41 pseudopacinetes, e as internações caíram de forma significativa, mas na verdade Rosenhan declarou depois que não mandou nenhum pseudopaciente. Os psiquiatras afundaram ainda mais na armadilha de Rosenhan e ficou evidenciado que os diagnósticos eram sim questionáveis, sujeitos a falhas, e não verdades absolutas.
            Apesar dessa e de outras experiências semelhantes, de psiquiatras contrários a essas classificações e confinamentos em hospitais psiquiátricos, o número de casos diagnosticados de esquizofrenia cresceu muito, mas hoje, o que reina é a depressão e os distúrbios de ansiedade.

Descrição e tratamento

            Primeiramente pensava-se em intervenção comportamental (behaviorismo), e essa técnica passou a ser amplamente utilizada pelos psiquiatras. Depois com o avanço da tecnologia surgiu a lobotomia, que consistia na retirada de todo lobo frontal e dizia-se que depois desse procedimento as pessoas ficavam mais calmas e tratáveis. Esse procedimento teve seu declínio lá pelo fim dos anos 1950, com o desenvolvimento de substâncias psicoativas. No entanto a psicocirurgia continuou a ser usada em hospitais mentais e em prisões.
            Nessa época houve interesse também na observação de que quando se tiravam as amígdalas de roedores eles se tornavam menos agressivos, e isso começou a ser utilizado em humanos. Havia uma falta de refinamento nesse procedimento, afinal a neurotecnologia estava surgindo, e medidas menos invasivas já estavam surgindo, como o implante de eletrodos de simulação em regiões específicas do cérebro, e que eram controlados por rádio. 
            Depois disso desenvolveram-se muitos remédios psicotrópicos que realmente chamavam a atenção pela melhora significativa dos pacientes, mas com o tempo alguns desses remédios apresentavam efeitos colaterais irreversíveis, talvez devido a falta de conhecimento do que realmente estava acontecendo, de que se tratava esse distúrbio que a pessoa sofria, e consequentemente, de como agir da melhor maneira, e isso inclui o desenvolvimento de remédios mais adequados e eficazes. 
            Hoje em dia creio que o sistema de desenvolvimento de remédios seja mais evoluído, controlado, mas ainda sim corre-se o risco de reações adversas devido a pessoas diferentes reagiram de formas diferentes ao mesmo medicamento, e isso não pode ser previsto em laboratório. Então fica a questão: será que o uso do remédio é sempre a melhor escolha? É óbvio que ele ajuda e é indispensável em alguns casos, mas é válido pensarmos também que ele nem sempre será, sozinho, a ''cura'' para as doenças mentais.

Referência:
Rose, S. (2006) O cérebro no século XXI: como entender, manipular e desenvolver a mente. São Paulo: editora Globo.

Material extra:
Dois links de textos e parte de um artigo científico que achei relevantes para reflexão:


 http://www.cbpabp.org.br/english/?p=1051
http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1392572


''2 – A medicação como elemento facilitador da convivência familiar
A maior parte dos entrevistados afirma que o uso de medicamentos mantém o doente mental estável e facilita a convivência no ambiente familiar. As manifestações abaixo apontam tais concepções:
(...) depois que ela toma o remédio de novo volta ao normal” (E1).
(...) mas quando ele continua o tratamento está bem” (E4).
(...) agora se ele não toma o remédio de noite ele não dorme (...) de vez em quando ele não quer tomar, daí tem que gritar com ele, daí toma, ele tem que tomar (...)” (E3).
Tais falas vêm ao encontro da afirmação de KOGA & FUREGATO (1998) que dizem que os familiares procuram o médico para adquirir receitas de medicamentos quando o doente mental piora. De acordo com a experiência familiar o uso de psicofármacos mostra-se eficiente nos momentos de agudização de sintomas psicóticos.
Esta concepção, muitas vezes, é reforçada pela equipe de saúde que atende o doente mental, centrando na medicação como o principal elemento terapêutico, como evidencia a fala a seguir:
(...) o médico disse que tem que tomar o remédio, se ele parar volta tudo” (E4).
A equipe de saúde, freqüentemente, só atenta para o que está acontecendo com a pessoa acometida pelo adoecer psicótico e com sua medicação. Reforça ao familiar que a única alternativa é o uso correto da medicação e muitas vezes esquece de se aproximar sesta família que também precisa de atenção e de acompanhamento adequado.
A equipe de saúde, no entendimento de Saraceno apud Moreno (2000), deve pensar em um todo e compreender a atenção em saúde mental como sendo “um processo de reconstrução, um exercício pleno da cidadania e também de plena contraturalidade nos três grandes cenários: habitat, rede social, trabalho com valor social”. Portanto, conforme os apontamentos do autor, a família faz parte do tripé que compõe os elementos necessários à intervenção junto ao doente mental. 
Por outro lado, um dos integrantes do estudo entende que o uso da medicação é importante mas não essencial. Na sua concepção, o convívio com a família é um fator primordial. O seu depoimento mostras esses aspectos:
É, eu sei que a medicação ajuda, mas ter só a medicação e não ter esse convívio (...). Eu acho que se não tem o todo, eles entram em crise, não adianta entupir eles de medicamento, não adianta, vai cair um dia (...)” (E 5).
A compreensão deste familiar vai ao encontro daquilo que acreditamos, pois sabemos da importância do uso de psicofármacos e do quanto eles auxiliam na redução de sintomas psicóticos. No entanto, o uso destes medicamentos, por si só, é pouco eficaz na recuperação de uma pessoa acometida por psicose. Essa concepção é reforçada por TOWNNSEND (2002, p.252) quando diz que “as medicações psicotrópicas se destinam a serem usadas como terapia adjuvante à terapia individual ou de grupo”.''                                                                                                                                               
Referência: http://www.fen.ufg.br/fen_revista/revista6_1/f6_mental.html                











sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Pensando a Psicologia Social


Sexta-feira, 22 de agosto de 2014



Como conhecemos as pessoas com as quais interagimos?

            Frequentemente estamos tentando entender os comportamentos das pessoas ao nosso redor, e suas intenções, com isso podemos as vezes cometer erros de julgamento, como quando julgamos uma pessoa apenas por uma atitude que ela teve ou quando a julgamos por pertencer a um determinado grupo social, ou a uma religião, pois acreditamos que todas as pessoas desse grupo ou religião agem da mesma forma.
            Assim como no exemplo acima dos grupos e das religiões, não é raro observarmos que temos uma teoria implícita de personalidade, em que acreditamos que se uma pessoa tem alguma característica específica, ela sempre apresentará comportamentos compatíveis com essa característica, e essa teoria nos ajuda a entender mais facilmente as pessoas.
            Também possuímos, como é fácil perceber no dia a dia, teorias sobre determinados grupos de pessoas, por exemplo, tendemos a supor que os brasileiros são muito alegres e receptivos, o que se analisado mais de perto, de forma individual nem sempre é verdade, não é por ser brasileira que uma pessoa será alegre e receptiva, e isso se aplica a vários tipos de esteriótipos, se não a todos. Quando há apenas a negatividade ligada a esse esteriótipo, como por exemplo: todo judeu é avarento, todo negro é preguiçoso, temos o que a psicologia social chama de preconceito.
            Essa forma de perceber as outras pessoas, por meio de esquemas também se aplica a nós mesmos. São os auto-esquemas, e funcionam da mesma forma dos outro esquemas. Temos sobre nós mesmo um conjunto de crenças de como somos, e como vimos, nem sempre esses esquemas correspondem a realidade.
            Voltando a falar da perceber que temos das outras pessoas, esta passa por várias etapas. O primeiro passo é que o comportamento do outro atinja nossos sentidos. Depois nossos preconceitos, esteriótipos, valores, atitudes (entendidos como sentimentos, na psicologia social) entram em ação para conduzir à formação de um conceito onde as características dos estímulos (comportamento da outra pessoa) se harmonize com a bagagem psicológica que filtra este estímulo antes que ele se torne um conceito em nossa atividade perceptiva.
            Vamos abordar agora um dos tópicos mais importantes da psicologia social contemporânea, que é o das atribuições, que diz que tendemos a atribuir fatores internos e externos a nossas ações e a dos outros. O problema disso é o erro fundamental de atribuição, que consiste em ao julgar o comportamento das outras pessoas tendemos a desconsiderar os fatores externos e quando é com a gente tendemos a supervalorizar os fatores externos, em outras palavras, quando os outros erram os fatores que influenciaram o erro foram internos, já quando nós erramos os fatores externos é que foram decisivos.
            Nessa mesma linha tem a tendência auto-servidora que diz basicamente que tendemos a fazer atribuições que nos protejam, que sirvam nosso ego, ou seja, se temos sucesso em algo, todo crédito é nosso, já se fracassamos, a culpa é sempre de algum fator externo, pessoa ou acontecimento.
            Essas tendências são muito importantes nos nossos comportamentos, mas os interesses pessoais também tem um papel decisivo, e quando eles estão em jogo, eles podem prevalecer sobre as tendências.
            Para nos sentirmos mais confiantes se as atribuições que fazemos correspondem ou não à realidade, de acordo com Jones e Davis, temos três fatores: liberdade na emissão do comportamento, o comportamento não ser uma consequência comum a várias causas, ou seja, ser típico de uma determinada disposição interna da pessoa, e o comportamento não ser muito desejado socialmente.
            Para fechar o capítulo falaremos agora sobre dois tópicos estudados por psicólogos sociais na tentativa de entender como nós percebemos as outras pessoas e os nossos comportamentos em relações a essas pessoas e como registramos as informações do processo de interação social. Esses dois tópicos são heurística e tendenciosidade. O primeiro entendido como ''atalhos'' que usamos para fazer suposições sobre comportamentos, e o segundo é darmos significado aos erros e as distorções que cometemos em nosso processo de percepção e cognição social.

Como influenciamos as pessoas ou somos por elas influenciados?

            Ao começar a entender as pessoas, através de certos comportamentos, geralmente começamos a tentar mudar seus comportamentos para que atendam aos nossos interesses, e vice-versa, outras pessoas podem estar tentando mudar nossos comportamentos, e a esse fenômeno dá-se o nome de influência social, que tem como base o poder que uma pessoa tem sobre outra.
            Existem seis tipo de bases de poder, que são: poder de coerção (uma pessoa tem poder de punir uma outra), poder de recompensa (uma pessoa usa da recompensa para gerar ou manter um comportamento desejado), poder da referência (quando se gosta de uma pessoa, tende-se a ouvir o que ela diz e ser influenciado por ela), poder de conhecimento (quando uma pessoa sabe mais sobre um assunto, seguirei suas instruções),o poder legítimo (quando o influenciado percebe legitimidade, verdade naquilo que o influenciador está dizendo), e finalmente o poder da informação (como próprio nome diz, damos uma informação relevante e ainda desconhecida pelo influenciado a fim de mostrar-lhe que outro tipo de comportamento seria mais adequado.
            Existem outros tipos de influência social, como a reatância psicológica, proposta por Jack Brehm, que diz que toda vez que sentimos que perdemos nossa liberdade, tendemos a tentar conquistá-la de volta, e a teoria da dissonância cognitiva, de Leon Festinger, que diz que sempre que temos pensamentos opostos, tendemos a harmonizá-los. Ex: não gostamos de fazer exercícios físicos, mas sabemos que eles são essenciais para uma vida saudável, nesse caso entramos em dissonância e tendemos a harmonizar os pensamentos, ou pelo menos diminuir essa dissonância, começando uma atividade física ou questionando se realmente é tão importante fazer exercícios.
            Além de todas essas formas de influência, existem ainda outras como as estudadas por Harper Collins, que veremos a seguir.

1) Princípio do contraste: é quando queremos que uma pessoa não reaja mal ao contar-lhe que fizemos algo errado, então, primeiro inventamos algo que seja muito mais grave do que realmente aconteceu, e quando a pessoa já está indo pular no nosso pescoço, nós falamos que aquilo era mentira e contamos o que realmente aconteceu. A pessoa se sentirá tao aliviada pela primeira história não ser verdade, que verá que o que realmente aconteceu não foi tao grave, pelo efeito do contraste.

2) A regra da reciprocidade: tipo de influência em que, como próprio nome diz, cobramos uma pessoa por algo que fizemos por ela no passado e por isso agora queremos que ela faça algo por nós também. Ex: um dia um amigo precisou deixar seus filhos em seu apartamento para sair com a esposa. Se um dia precisar fazer o mesmo, pode lembrá-lo de quando o ajudou e que agora você que está precisando da ajuda. O amigo se sente devedor e a chance dele te ajudar é maior.
            Um outro exemplo da aplicação dessa regra é quando queremos pedir uma coisa a alguém, só que em vez de pedir o que queremos de uma vez, primeiro pedimos algo muito mais caro ou muito mais difícil de ser feito. A pessoa tenderá a não aceitar, então você abaixa sua proposta até que chegue na sua intenção primeira. A pessoa se sentirá devedora, por você ter ''abaixado'' tanto seu pedido, e tenderá a ser compreensiva com você também. Ex: você quer pedir 2.000 a sua mãe reais para viajar. Ao invés de já chegar pedindo essa quantia, você pede primeiro 6.000 reais. Ela provavelmente se espantará com a quantia e dirá não. Com isso você vai abaixando seu pedido até chegar nos 2.000 reais.

3) Comprovação social: é uma das formas mais eficazes de influência social e utiliza-se da pressão social, ou seja, alegamos que outras pessoas estão conosco, concordam conosco. Ela tenderá a seguir o que estamos dizendo, pois, de maneira geral, não gostamos de nos sentir diferente dos outros.

Obs: A psicologia social, como ciência, estudas as interações humanas, mas a utilização desses métodos é de responsabilidade de quem os aplica.

Referência:
Rodrigues, A. (1992Psicologia social para principiantes:estudo da interação humanaRio de JaneiroVozes.