Pensando a Psicologia Social
Sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Como
conhecemos as pessoas com as quais interagimos?
Frequentemente
estamos tentando entender os comportamentos das pessoas ao nosso
redor, e suas intenções, com isso podemos as vezes cometer erros de
julgamento, como quando
julgamos uma pessoa apenas por uma atitude que ela teve ou quando a
julgamos por pertencer a um determinado grupo social, ou a uma
religião, pois acreditamos que todas as pessoas desse grupo ou
religião agem da mesma forma.
Assim
como no exemplo acima dos grupos e das religiões, não é raro
observarmos que temos uma teoria implícita de personalidade, em que
acreditamos que se uma pessoa tem alguma característica específica,
ela sempre apresentará comportamentos compatíveis com essa
característica, e essa teoria nos ajuda a entender mais facilmente
as pessoas.
Também
possuímos, como é fácil perceber no dia a dia, teorias sobre
determinados grupos de pessoas, por exemplo, tendemos a supor que os
brasileiros são muito alegres e receptivos, o que se analisado mais
de perto, de forma individual nem sempre é verdade, não é por ser
brasileira que uma pessoa será alegre e receptiva, e isso se aplica
a vários tipos de esteriótipos, se não a todos. Quando há apenas
a negatividade ligada a esse esteriótipo, como por exemplo: todo
judeu é avarento, todo negro
é preguiçoso, temos o que a psicologia social chama de preconceito.
Essa
forma de perceber as outras pessoas, por meio de esquemas também se
aplica a nós mesmos. São os auto-esquemas, e funcionam da mesma
forma dos outro esquemas. Temos sobre nós mesmo um conjunto de
crenças de como somos, e como vimos, nem sempre esses esquemas
correspondem a realidade.
Voltando
a falar da perceber que temos das outras pessoas, esta passa por
várias etapas. O primeiro passo é que o comportamento do outro
atinja nossos sentidos. Depois nossos preconceitos, esteriótipos,
valores, atitudes (entendidos como sentimentos, na psicologia social)
entram em ação para conduzir à formação de um conceito onde as
características dos estímulos (comportamento da outra pessoa) se
harmonize com a bagagem psicológica que filtra este estímulo antes
que ele se torne um conceito em nossa atividade perceptiva.
Vamos
abordar agora um dos tópicos mais importantes da psicologia social
contemporânea, que é o das atribuições, que diz que tendemos a
atribuir fatores internos e externos a nossas ações e a dos outros.
O problema disso é o erro fundamental de atribuição, que consiste
em ao julgar o comportamento das outras pessoas tendemos a
desconsiderar os fatores externos e quando é com a gente tendemos a
supervalorizar os fatores externos, em outras palavras, quando os
outros erram os fatores que influenciaram o erro foram internos, já
quando nós erramos os fatores externos é que foram decisivos.
Nessa
mesma linha tem a tendência auto-servidora que diz basicamente que
tendemos a fazer atribuições que nos protejam, que sirvam nosso
ego, ou seja, se temos sucesso em algo, todo crédito é nosso, já
se fracassamos, a culpa é sempre de algum fator externo, pessoa ou
acontecimento.
Essas
tendências são muito importantes nos nossos comportamentos, mas os
interesses pessoais também tem um papel decisivo, e quando eles
estão em jogo, eles podem prevalecer sobre as tendências.
Para
nos sentirmos mais confiantes se as atribuições que fazemos
correspondem ou não à realidade, de acordo com Jones e Davis, temos
três fatores: liberdade na emissão do comportamento, o
comportamento não ser uma consequência comum a várias causas, ou
seja, ser típico de uma determinada disposição interna da pessoa,
e o comportamento não ser muito desejado socialmente.
Para
fechar o capítulo falaremos agora sobre dois tópicos estudados por
psicólogos sociais na tentativa de entender como nós percebemos as
outras pessoas e os nossos comportamentos em relações a essas
pessoas e como registramos as informações do processo de interação
social. Esses dois tópicos são heurística e tendenciosidade. O
primeiro entendido como ''atalhos'' que usamos para fazer suposições
sobre comportamentos, e o segundo é darmos significado aos erros e
as distorções que cometemos em nosso processo de percepção e
cognição social.
Como
influenciamos as pessoas ou somos por elas influenciados?
Ao
começar a entender as pessoas, através de certos comportamentos,
geralmente começamos a tentar mudar seus comportamentos para que
atendam aos nossos interesses, e vice-versa, outras pessoas podem
estar tentando mudar nossos comportamentos, e a esse fenômeno dá-se
o nome de influência social, que tem como base o poder que uma
pessoa tem sobre outra.
Existem
seis tipo de bases de poder, que são: poder de coerção (uma pessoa
tem poder de punir uma outra), poder de recompensa (uma pessoa usa da
recompensa para gerar ou manter um comportamento desejado), poder da
referência (quando se gosta de uma pessoa, tende-se a ouvir o que
ela diz e ser influenciado por ela), poder de conhecimento (quando
uma pessoa sabe mais sobre um assunto, seguirei suas instruções),o
poder legítimo (quando o influenciado percebe legitimidade, verdade
naquilo que o influenciador está dizendo), e finalmente o poder da
informação (como próprio nome diz, damos uma informação
relevante e ainda desconhecida pelo influenciado a fim de mostrar-lhe
que outro tipo de comportamento seria mais adequado.
Existem
outros tipos de influência social, como a reatância psicológica,
proposta por Jack Brehm, que diz que toda vez que sentimos que
perdemos nossa liberdade, tendemos a tentar conquistá-la de volta, e
a teoria da dissonância cognitiva, de Leon Festinger, que diz que
sempre que temos pensamentos opostos, tendemos a harmonizá-los. Ex:
não gostamos de fazer exercícios físicos, mas sabemos que eles são
essenciais para uma vida saudável, nesse caso entramos em
dissonância e tendemos a harmonizar os pensamentos, ou pelo menos
diminuir essa dissonância, começando uma atividade física ou
questionando se realmente é tão importante fazer exercícios.
Além
de todas essas formas de influência, existem ainda outras como as
estudadas por Harper Collins, que veremos a seguir.
1)
Princípio do contraste: é quando queremos que uma pessoa não reaja
mal ao contar-lhe que fizemos algo errado, então, primeiro
inventamos algo que seja muito mais grave do que realmente aconteceu,
e quando a pessoa já está indo pular no nosso pescoço, nós
falamos que aquilo era mentira e contamos o que realmente aconteceu.
A pessoa se sentirá tao aliviada pela primeira história não ser
verdade, que verá que o que realmente aconteceu não foi tao grave,
pelo efeito do contraste.
2)
A regra da reciprocidade: tipo de influência em que, como próprio
nome diz, cobramos uma pessoa por algo que fizemos por ela no passado
e por isso agora queremos que ela faça algo por nós também. Ex: um
dia um amigo precisou deixar seus filhos em seu apartamento para sair
com a esposa. Se um dia precisar fazer o mesmo, pode lembrá-lo de
quando o ajudou e que agora você que está precisando da ajuda. O
amigo se sente devedor e a chance dele te ajudar é maior.
Um
outro exemplo da aplicação dessa regra é quando queremos pedir uma
coisa a alguém, só que em vez de pedir o que queremos de uma vez,
primeiro pedimos algo muito mais caro ou muito mais difícil de ser
feito. A pessoa tenderá a não aceitar, então você abaixa sua
proposta até que chegue na sua intenção primeira. A pessoa se
sentirá devedora, por você ter ''abaixado'' tanto seu pedido, e
tenderá a ser compreensiva com você também. Ex: você quer pedir
2.000 a sua mãe reais para viajar. Ao invés de já chegar pedindo
essa quantia, você pede primeiro 6.000 reais. Ela provavelmente se
espantará com a quantia e dirá não. Com isso você vai abaixando
seu pedido até chegar nos 2.000 reais.
3)
Comprovação social: é uma das formas mais eficazes de influência
social e utiliza-se da pressão social, ou seja, alegamos que outras
pessoas estão conosco, concordam conosco. Ela tenderá a seguir o
que estamos dizendo, pois, de maneira geral, não gostamos de nos
sentir diferente dos outros.
Obs:
A psicologia social, como ciência, estudas as interações humanas,
mas a utilização desses métodos é de responsabilidade de quem os
aplica.
Referência:
Rodrigues, A. (1992) Psicologia social para principiantes:estudo da interação humana. Rio de Janeiro: Vozes.

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