As
possibilidades do Tato
Sexta-feira,
12 de setembro de 2014
Hoje
falaremos sobre o tato, um sentido muitas vezes desprezado por nós,
mas que para alguns cientistas tem sido objeto de estudo para
desenvolvimento, por exemplo, de um macacão que ajude pilotos a se
orientarem no ar, a saberem, por exemplo, onde está o chão e onde
está o céu.
Esse
macacão dispões de 32 tatores pneumáticos (vibradores
impulsionados por um pulso de ar), cada um com cerca de um centímetro
e meio de diâmetro e alguns milímetros de espessura, que ficam
dispostos em torno do dorso, com
intervalos de dois centímetros entre cada um. Os
tatores são ativados
por um
motor que dispara
os jatos de ar de acordo com determinações eletrônicas dos
instrumentos da cabine. Assim,
o piloto recebe
informação tátil sobre a altitude, inclinação, e velocidade
relativa do avião.
A
função mais
marcante do macacão,
contudo,
é ajudar a distinguir entre as sensações de "em cima" e
"embaixo" no
vôo.
Acredita-se
que a
maioria dos pilotos que
morreu na Guerra do Golfo,
morreu por não conseguir
identificar qual
era o lado de “cima". Cerca de 30% das colisões aéreas civis
foram atribuídas à desorientação espacial. Saber onde está o
chão envolve informações complexas e, o mais importante,
contínuas, recebidas por nossos sentidos,
e em
certas situações, essas informações podem ser enganosas.
Um
ponto bastante marcante desse macacão é que quando se usa, a
resposta vem de forma intuitiva, o piloto não precisa pensar para
responder ao estímulo. Ex: quando o avião se inclina para a frente,
fortes vibrações na frente do traje praticamente forçam o piloto a
corrigir a posição. Se o aparelho estiver se inclinando
lateralmente para a direita, as vibrações se movem da cintura para
a região da axila direita do traje. Se o nariz da aeronave estiver
empinado demais, haverá vibrações na parte posterior do pescoço.
A resposta instintiva a cada um desses estímulos é a correta: a
reação automática é a de corrigir movimentos involuntários.
O
sistema é tão eficiente na transmissão de informações que
permite que os pilotos militares voem vendados depois de apenas
alguns minutos de treinamento. Os macacões também podem alertar os
pilotos sobre a aproximação de inimigos: uma pressão sobre a área
correta do corpo gera uma compreensão instintiva sobre a direção
exata de aproximação de uma aeronave inimiga.
O
macacão nos automóveis
Outras
aplicações dos macacões tácteis estão sendo desenvolvidas para
uso também em baixo d'água, em mares muito escuros, e também no
espaço para ajudar os astronautas a se orientarem melhor em suas
caminhadas espaciais.
O
macacão nos automóveis
A
Nissan e a
Honda estão ajudando uma
equipe na Universidade Perdue a desenvolver sistemas táteis para
seus automóveis.
Os sistemas estariam ligados a aparelhos de radar de curto alcance e
alertariam
fisicamente
ao
motorista quando algo se aproximasse demais do carro. Se uma criança
aparecesse correndo na frente do carro, por exemplo, o sistema
propiciaria um forte toque no peito do motorista, proveniente de
tatores instalados no cinto de segurança. Sistema semelhante
advertiria caminhoneiros dando a ré às cegas de que estão prestes
a bater em alguma coisa. Uma
pesquisa realizada
na Universidade Perdue demonstrou
que os tempos de reação podem cair à metade quando a informação
tátil substitui o estímulo visual direto -uma melhora que poderia
salvar vidas.
Existem pesquisas nessa área que podem beneficiar também
pessoas com
deficiência visual.
O
cinto táctil seria
ligado
a
um sistema GPS, e as vibrações do cinto conduziriam
a
pessoa ao seu destino. O método poderia substituir sistemas de
navegação que
usam sons,
que podem ser perigosos ao ter o potencial de desviar a atenção do
usuário de barulhos como um
carro se aproximando.
Contudo, ninguém desenvolveu tatores tão versáteis até o momento, e o mercado para esse tipo de aparelho não ajuda a acelerar as pesquisas. No entanto, o mais recente setor a aproveitar o potencial do toque poderá causar grande impacto na tecnologia tátil. Um psicólogo experimental quer desenvolver vibradores que criem “melodias” vibratórias em telefones celulares. Ele e sua equipe vêm executando testes para ver com que facilidade as pessoas reconhecem o ritmo de uma canção em forma táctil. Um dia, o telefone celular de uma pessoa pode ser programado para executar uma canção brega de amor em forma tátil quando seu amado ligar, e o ritmo sombrio da Marcha Fúnebre quando o telefonema vier do escritório.
Contudo, ninguém desenvolveu tatores tão versáteis até o momento, e o mercado para esse tipo de aparelho não ajuda a acelerar as pesquisas. No entanto, o mais recente setor a aproveitar o potencial do toque poderá causar grande impacto na tecnologia tátil. Um psicólogo experimental quer desenvolver vibradores que criem “melodias” vibratórias em telefones celulares. Ele e sua equipe vêm executando testes para ver com que facilidade as pessoas reconhecem o ritmo de uma canção em forma táctil. Um dia, o telefone celular de uma pessoa pode ser programado para executar uma canção brega de amor em forma tátil quando seu amado ligar, e o ritmo sombrio da Marcha Fúnebre quando o telefonema vier do escritório.
Enfim,
as possibilidades, como vimos são inúmeros, e acredito que não se
resumem a esse texto.
Abraço
e até a próxima.
Fonte: Schrope, M. (2001). O novo sentido do tato, New Scientist, 2 de Junho, 30-33.




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