sexta-feira, 31 de outubro de 2014



         Introversão e Extroversão



sexta-feira, 31 de outubro de 2014

            Nessa semana a introversão e extroversão serão tema do blog. Por mais que não fique tao perceptível no dia a dia, essas características influenciam muito que tipos de amigos vamos escolher, que tipo de trabalho iremos ter, de maneira geral, quais comportamentos tendemos a ter ao longo da vida.
            Pensa-se sobre sobre introvertidos e extrovertidos desde o início dos tempos. Os dois tipos de personalidade aparecem na Bíblia e nos escritos de doutores gregos e romanos, e alguns psicólogos evolucionistas dizem que a história desses comportamentos vai muito além: o reino animal também apresenta “introvertidos” e “extrovertidos”. Sem os dois estilos de personalidade, assim como sem outros pares complementares — masculinidade e feminilidade, Ocidente e Oriente, liberais e conservadores —, a humanidade seria irreconhecível, e imensamente diminuída.
            A ideia central do texto não é dizer que uma maneira de ser é melhor que a outra, é apenas que, ao contrário do que se pensa, introvertidos tem tanto a oferecer que extrovertidos, que hoje são tidos como exemplo de personalidade ser seguido.
            A autora deixa sua intenção bem clara com um exemplo que fala por si só. Cain (autora do texto), durante anos trabalhou com treino de pessoas nas habilidades de negociação. Sua primeira cliente, Laura, advogada, era uma pessoa reconhecidamente introvertida, com pavor dos holofotes. Depois de três anos trabalhando numa empresa, ela teria que representar um colega de trabalho que viajara de férias, deixando-a a missão de uma importante negociação na empresa. Ela estava bem nervosa e achava que era quieta e cerebral demais para aquela negociação, mas por saber conduzir a conversa muito bem, com sua calma, pensando antes de falar, falando de forma cordial e firme ao mesmo tempo, ela conseguiu se sair muito bem, recebendo inclusive propostas de emprego após essa reunião, e ela nem precisou berrar nem bater na mesa para conseguir tudo isso, bastou usar o que a introversão pôde lhe oferecer. Mais a frente no texto Cain revela que, na verdade essa história era sobre ela, ela tinha sido sua primeira cliente.
            Cometemos um erro grave ao abraçar o Ideal da Extroversão tão inconsequentemente. Algumas das nossas maiores ideias, a arte, as invenções — desde a teoria da evolução até os girassóis de Van Gogh e os computadores pessoais — vieram de pessoas quietas e cerebrais que
sabiam como se comunicar com seu mundo interior e os tesouros que lá seriam encontrados.
Sem introvertidos, o mundo não teria:

A teoria da gravidade
A teoria da relatividade
O segundo advento”, de W.B. Yeats
Os noturnos de Chopin
Em busca do tempo perdido, de Proust
Peter Pan
1984 e A revolução dos bichos, de George Orwell
O Gato do Chapéu”, do Dr. Seuss
Charlie Brown
A lista de Schindler, E.T. e Contatos imediatos de terceiro grau, de Steven Spielberg
O Google
Harry Potter
            
            O Ideal da Extroversão está em todo lugar, na escola, quando o trabalho em grupo é estimulado, e as vezes, exigido, no trabalho, onde a o trabalho em equipe é o que há de mais valorizado, em casa, onde se a criança prefere brincar sozinha pensa-se que há algo errado com ela, se ela não interage tanto com os colegas, já se pensa em autismo, e não se leva em consideração que aquela criança é apenas introvertida, e ela tem o direto de ser, e deve ser respeitada por isso, sem tentativas de mudá-las.
            Há um outro ponto importante sobre esse assunto que é a timidez. Timidez se define pelo medo da desaprovação social, está mais relacionada ao medo de se expor, enquanto a introversão é apenas uma preferência por não se expor. Uma pessoa pode ser um introvertido tímido, um extrovertido tímido, um introvertido não-tímido ou um extrovertido não-tímido.
            A autora anexou também um teste para sabermos se tendemos a ser mais introvertidos ou extrovertidos:

1. ___ Prefiro conversas individuais a atividades em grupo.
2. ___ Geralmente prefiro me expressar por escrito.
3. ___ Gosto da solidão.
4. ___ Pareço me importar menos que meus colegas com fama, fortuna e status.
5. ___ Não gosto de jogar conversa fora, mas gosto de tópicos profundos que importam
para mim.
6. ___ As pessoas dizem que sou um bom ouvinte.
7. ___ Não gosto muito de correr riscos.
8. ___ Gosto de trabalhos que me permitam “mergulhar” com poucas interrupções.
9. ___ Gosto de celebrar aniversários de maneira reservada, com apenas um ou dois
amigos ou familiares.
10. ___ As pessoas me definem como alguém “de fala mansa” ou “meigo”.
11. ___ Prefiro não mostrar meu trabalho ou discutir sobre ele com os outros até ter
terminado.
12. ___ Não gosto de conflitos.
13. ___ Trabalho melhor sozinho.
14. ___ Tendo a pensar antes de falar.
15. ___ Sinto-me exaurido depois de estar em público, mesmo que tenha me divertido.
16. ___ Às vezes deixo ligações caírem na caixa postal.
17. ___ Se tivesse que escolher, preferiria passar um fim de semana com absolutamente
nada para fazer a um com muitas coisas programadas.
18. ___ Não gosto de fazer muitas coisas ao mesmo tempo.
19. ___ Consigo me concentrar com facilidade.
20. ___ Em situações de sala de aula, prefiro palestras a seminários.




            Quanto mais tiver respondido “verdadeiro”, mais introvertido você provavelmente é. Se tiver um número parecido de “verdadeiros” e “falsos”, provavelmente você é um ambivertido sim, essa palavra existe. Mas mesmo que tenha respondido cada questão como um introvertido ou extrovertido, isso não significa que seu comportamento é previsível em todas as circunstâncias. Não se pode dizer que todo introvertido goste de ler ou que todo extrovertido atrai os holofotes em uma festa, não mais do que se pode dizer que toda mulher é uma construtora natural de consenso e que todos os homens amam esportes de contato. Como Jung acertadamente colocou, “não existe introvertido ou extrovertido puro. Um homem assim estaria em um sanatório para lunáticos”.
            Ao longo do texto ela dá mais exemplos de como introvertidos podem se beneficiar de sua característica, como um dos principais fundadores da Apple, que era um introvertido, e no momento de sua grande proeza, quando digitou as letras no teclado, e elas aparecerem na tela, ele estava sozinho, como em todos os outros dias de seu trabalho.
            Enfim, a autora passa a mensagem de que o Ideal de Extroversão precisa ser visto com muito cuidado e com muita desconfiança. A introversão também tem suas potencialidades, que aliás são gigantescas, notáveis e indispensáveis para a evolução humana.

Referência: Cain, S. (2012) O poder dos quietos. Rio de Janeiro: Agir.

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